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250 anos

Abençoada Porto Alegre, abençoadas histórias

Nestes 250 anos de Porto Alegre aproveito este espaço privilegiado para fazer uma retrospectiva do meu contato inicial com a capital de nosso Estado

Padre Rogerio Luis Flores

Padre Rogerio Luis FloresPároco da Catedral Metropolitana de Porto Alegre

26/04/2022 16h55
Por: Fernando Gadret
Fonte: Padre Rogerio Luis Flores
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Nestes 250 anos de Porto Alegre aproveito este espaço privilegiado para fazer uma retrospectiva do meu contato inicial com a capital de nosso Estado. Também trago alguns momentos importantes vividos aqui e que hoje se mesclam com a oportunidade de morar e trabalhar no centro da capital dos gaúchos. 1977 foi o primeiro contato com  Porto Alegre. Fomos ao Beira-Rio onde ocorreu um jogo dos juvenis treinado por um teimoso professor de educação física que tinha iniciado uma Escolinha de Futebol em Montenegro ligada ao Inter. Ainda vimos e cumprimentamos o jogador Lula na concentração e naquele sábado passamos o dia aqui. Depois foi a vez do Olímpico numa espécie de vestibular em novembro de 1981 para ingressar na Escola de Sargentos Especialistas, que existe até hoje em Guaratinguetá, S. Paulo. O sonho de seguir uma carreira militar na aeronáutica, ser fotógrafo aéreo, levou-me junto com um amigo a passar na casa dos seus avós durante uma semana no bairro Partenon. De segunda à sexta pela manhã pegávamos o ônibus da linha Cascatinha rumo ao Olímpico para as provas. Lembro-me do goleiro Leão treinando com todo o time do Grêmio. Depois veio o ingresso no Seminário S. José, em Gravataí, 1983. Neste ano foi a vez de conhecer a Catedral na ordenação episcopal de d. José Mário Stroeher na noite de 24 de junho, solenidade da Natividade de S. João Batista. Em 1984 voltaria à Catedral para atuar como acólito nas celebrações da Semana Santa presididas por d. Cláudio Colling, arcebispo naquela época. E, depois destas datas a relação com Porto Alegre foi sempre de amizade, simpatia, bem-estar e, porque não dizer de amor. Ela é uma cidade grande, sim, mas tem um ar das boas cidades do interior. Evidentemente, toda a minha frequência na capital do RS sempre se deu a partir do universo religioso: passagem por muitas paróquias e escolas católicas em visitas e trabalhos pastorais, reuniões no Centro de Pastoral nos fundos da Igreja s. Pedro. Passagem frequente e constante pela Cúria Metropolitana. De 1993 e 1998 coordenei a Pastoral Vocacional na Arquidiocese e foi o período em que começamos as romarias vocacionais no terceiro domingo de agosto percorrendo o pequeno trecho da rua que leva da Oscar Pereira até o Santuário Mãe de Deus nos altos da Glória. Como não lembrar neste mesmo entorno da Vila Betânia, ao lado do Hospital Divina Providência, onde tantos retiros fiz ainda como seminarista e depois como padre, além da participação em muitas reuniões, assembléias, cursos e outras atividades. Hospitais como Divina Providencia e Mãe de Deus pude tratar uma lesão do joelho esquerdo. Sta. Casa de Misericórdia foi e é sempre um espaço de visitas aos doentes. Lá também acolheu muito bem meu pai para uma cirurgia cardíaca. Em rádios e órgãos de imprensa também tive espaço na divulgação de nosso trabalho, ainda pude celebrar uma missa na antiga TV Difusora numa manhã de domingo. Em termos históricos é importante lembrar que a capital da Província esteve em Rio Grande, depois em Viamão (1762-72) e justamente em 1772 Porto Alegre passa a ser a capital da Província de S. Pedro. Não se pode esquecer o núcleo religioso e a presença da Igreja na fundação desta cidade. De outro lado, no meu ministério sacerdotal, também acabei imitando esta história visto que, depois de 17 anos em Viamão, em janeiro de 2016 assumi como pároco a Paróquia Madre de Deus, nossa Catedral Metropolitana. E já se vão 6 anos deste ministério neste coração do Porto dos Casais. Independente de todas as dificuldades históricas e as que vivemos hoje, temos que reconhecer uma história abençoada por Deus nestes 250 anos. A Mãe de Deus com certeza estende o seu manto maternal sobre todos os filhos e filhas desta cidade, os que chegam e os que partem, os que ficam e os que virão, os que deixaram suas marcas e já estão no céu. Parabéns Porto Alegre, sejas sempre abençoada por Deus e protegida pela Mãe de Jesus e nossa Mãe.          


Fraternalmente,

Pe. Rogério Luís Flôres

Pároco - Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus - Catedral Metropolitana de Porto Alegre