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Campanha Solidária

Recomeço de Esperança

O setembro amarelo apareceu pra conversar sobre um tema triste e delicado

Raul Tartarotti

Raul TartarottiCrônicas Semanais

21/09/2021 10h50Atualizado há 1 mês
Por: Fernando Gadret
Fonte: Raul Tartarotti
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O setembro amarelo apareceu pra conversar sobre um tema triste e delicado, e que nos trás uma pergunta, "Por que você não chora", que é o nome do filme que retrata o suicídio. Ele conta a história de uma jovem introspectiva, finalista do curso de Psicologia, responsável por fazer o acompanhamento terapêutico de Bárbara (Bárbara Paz), uma mulher com transtorno de personalidade borderline. Quanto mais ela ajuda a paciente, mais se envolve nos problemas dela, e lida com traumas do passado e tendências suicidas.
Tema claramente importante, visto que no Brasil a cada 40 segundos uma pessoa tenta se matar, o que deixa essa preocupação especialmente urgente, em um momento angustiante como este da pandemia.
Também foi enaltecida a importância do tratamento psicológico, desde os corredores e quartos da casa verde de Machado de Assis em "O Alienista", que tentou mostrar nossas doenças, e as dos outros, pra que o juízo fosse mais encontrado do que perdido. Não há saída a não ser tratar dos males que nos levam a cometer atitudes insanas, caso contrário poderíamos ser levados a casa de cuidados do Dr. Bacamarte, esse Alienista dos anos 1882, significado de Psiquiatra na época de Machado. 
Muitos comentários que demonstram desespero, ausência de esperança e desamparo, podem ser o início de um ideário suicida. Algumas expressões são o sinal de alerta, e eventos estressantes estão associados ao surgimento desses pensamentos fatais.
O olhar do outro passa a ser importante veículo de solução e até mesmo salvação dessa alma sofrida.
O lamento de uma geração pode ser do tamanho de muitas dores, desde aquelas dos últimos minutos de vida, até as que hoje são lembradas, das pessoas que não tiveram oportunidade de participar da reconstrução.
As almas que preparam nossos dias vindouros, carregam a bagagem trágica dos lamentos e esperanças de quem ficou na expectativa de sorrir, caminhar e pensar nas possibilidades que os homens de bem desenham para nosso futuro. Cada nova origem nos remete a uma história diferente, e quem completou o ciclo anterior, trás significado ao próximo.
Se rebuscarmos valores sem lamento, talvez a vida nos mostre suas belas facetas, como fez o famoso pintor Van Gogh, que em suas linhas doídas pelo isolamento, escreveu em 1889, numa janela de esperança na vida triste e solitária que levava, porém talentosa, esperançosa e colorida como sempre nos mostrou.
"Sabe o que espero no meu recomeço de esperança, que a família seja pra você, o que pra mim é a natureza, os Torrões da terra e a relva. Que você encontre seu amor pelas pessoas, motivo não só para trabalhar, mas com quem se consolar, reerguer-se, quando necessário".

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